Um alerta da Suzano, uma das maiores produtoras globais de celulose, acendeu um sinal amarelo sobre as possíveis consequências de novas políticas tarifárias nos Estados Unidos. A empresa brasileira manifestou preocupação de que a imposição de tarifas adicionais sobre produtos de celulose e papel, uma medida ventilada no cenário político americano e associada ao ex-presidente Donald Trump, poderia desorganizar as cadeias de suprimento e, em última instância, afetar a disponibilidade de itens essenciais como o papel higiênico no mercado norte-americano.
A Suzano é uma fornecedora chave de celulose de fibra curta – matéria-prima fundamental para a fabricação de papéis tissue (como papel higiênico e toalhas de papel) – para o mercado dos EUA. A companhia argumenta que o mercado norte-americano depende, em certa medida, da importação para atender plenamente sua demanda. A imposição de tarifas tornaria esses produtos mais caros, o que poderia levar a dois cenários: um aumento de preços para o consumidor final ou uma redução na oferta, caso os produtores e importadores não consigam absorver os custos.
A empresa destaca que a celulose brasileira é altamente competitiva, e uma disrupção nesse fluxo comercial poderia criar gargalos na produção nos EUA. O episódio serve como um exemplo concreto de como medidas protecionistas podem ter efeitos em cascata, impactando setores e produtos que, à primeira vista, não parecem diretamente relacionados às disputas comerciais. O alerta da Suzano, embora possa parecer prosaico ao focar no papel higiênico, reflete um sentimento de apreensão mais amplo no comércio internacional sobre os riscos de uma escalada protecionista, que gera incertezas e pode levar à escassez de bens no mercado consumidor.

