maio 18, 2026
El Salvador

O “Modelo Bukele” em El Salvador: Mão de ferro contra o crime conquista apoio, mas gera alertas sobre direitos humanos e democracia

El Salvador, sob a presidência de Nayib Bukele, tornou-se um estudo de caso global sobre políticas de segurança de “mão de ferro”. A drástica redução nos índices de criminalidade, especialmente homicídios, rendeu a Bukele uma popularidade interna massiva e a admiração de figuras internacionais. A estratégia se baseia em uma repressão implacável contra as gangues (maras) por meio de um estado de exceção que suspendeu garantias constitucionais, permitindo dezenas de milhares de prisões, muitas vezes com poucas evidências.

O resultado imediato foi uma queda acentuada na violência, trazendo um alívio palpável para comunidades antes aterrorizadas. Esse aparente sucesso é a base do apelo do “modelo Bukele”. No entanto, críticos e organizações de direitos humanos apontam o alto custo dessa política. Relatórios documentam prisões arbitrárias, superlotação carcerária, mortes sob custódia e a erosão do devido processo legal.

Existe um temor crescente de que o governo esteja usando o pretexto da segurança para concentrar poder, minar a independência do judiciário e silenciar opositores. O debate central é se os benefícios em segurança compensam os retrocessos em direitos e liberdades, e se essa paz, construída sobre a supressão de direitos, é sustentável a longo prazo ou se abre um precedente perigoso para o autoritarismo.