Em um movimento que aprofunda o declínio democrático na Nicarágua, o país promoveu alterações constitucionais que, na prática, expandem e consolidam o poder concentrado nas mãos do presidente Daniel Ortega e de sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo. As reformas, aprovadas por um parlamento controlado por aliados, são vistas pela comunidade internacional como mais um passo em direção a um regime autoritário, minando os freios e contrapesos. As emendas facilitam a permanência indefinida no poder e restringem direitos civis e políticos.
Essas alterações não são um evento isolado, mas o ápice de um processo de concentração de poder que se intensificou após a dura repressão aos protestos de 2018. Desde então, o regime tem perseguido opositores, jornalistas e ativistas, com muitos sendo presos, exilados ou tendo suas nacionalidades revogadas. A justificativa oficial é a necessidade de garantir a “estabilidade” e proteger a nação contra supostas ameaças.
Para observadores independentes e a comunidade internacional, no entanto, as reformas representam a consolidação de um poder dinástico e a eliminação de qualquer oposição. Organizações como a ONU e a OEA expressaram forte preocupação, e sanções foram impostas, mas com pouco efeito até agora. Com isso, a Nicarágua se aprofunda em um crescente isolamento, com um futuro incerto para suas liberdades.

